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Perguntas frequentes

Perguntas frequentes.

Algumas perguntas são práticas: valores, horários, fusos. Outras são mais silenciosas: este é o lugar certo para mim? As duas merecem respostas pensadas. Se a sua não estiver aqui, você é sempre bem-vinda a me escrever.

Isso é adivinhação? Você vai prever o que vai acontecer?

Não, e essa é a primeira coisa que eu esclareço. Não trabalho com previsão, data nem prazo. O tarô, aqui, é uma ferramenta projetiva: a imagem da carta é aberta o suficiente para você colocar nela algo que já é seu. O que aparece não vem do baralho — vem de você, e é isso que a gente escuta. Nenhuma carta decide nada da sua vida.

Por que usar tarô numa prática clínica? Isso não enfraquece o trabalho?

Pergunta justa, e eu gosto dela. Pense no Rorschach, o teste das manchas de tinta: a pessoa recebe uma imagem ambígua, e o que ela vê ali diz respeito a ela, não à tinta. A carta funciona no mesmo registro. É uma analogia: não aplico nem interpreto testes psicológicos, e a carta não mede nada. Winnicott chamava essa área intermediária de espaço potencial — nem totalmente dentro de você, nem totalmente no mundo — onde é possível brincar com o que ainda não virou palavra. Um objeto colocado nesse espaço, uma imagem sobre a mesa, sustenta o que a fala sozinha ainda não sustenta. A escuta psicanalítica continua sendo o trabalho. A carta é o que dá onde se apoiar.

Qual a diferença entre os três serviços? Como eu escolho?

Psicanálise é terapia de conversa, mas a funda: você vem com regularidade e, aos poucos, só conversando, começam a aparecer padrões que talvez você nem soubesse que estavam ali. Psicanálise com tarô é a mesma terapia, a mesma profundidade, com uma ferramenta a mais para quando as palavras não chegam. Consulta de tarô é uma sessão única, sem processo: você traz uma decisão, um sentimento, um ponto onde travou, e a gente olha de outro ângulo. Em dúvida entre as duas primeiras? Se a imagem te atrai, escolha com tarô. Se te incomoda, escolha sem. Dá para mudar de ideia depois.

Preciso me comprometer com um processo contínuo ou posso fazer só uma sessão?

Depende do que você procura. As duas modalidades de psicanálise pedem continuidade — não é uma regra minha, é como o processo funciona. É lento por natureza: o que aparece, aparece no tempo do processo — sem garantia de resultado. A consulta de tarô existe justamente para quem quer uma sessão focada, e não um processo que se estende no tempo. Não há hierarquia entre elas. Há propósitos diferentes.

Você é psicanalista mesmo? Onde se formou?

Sou. Fiz a formação clínica em psicanálise no IBPC e concluí há três anos. O tarô vem de muito antes: estudo essa linguagem simbólica há trinta anos. E antes disso houve uma volta longa — graduação em Economia, quinze anos de administração pública no Brasil, dez anos de cuidado infantil aqui na Austrália. Não é uma linha reta, e cada um desses lugares me ensinou algo sobre como as pessoas se comunicam e quanto do que mais importa fica sem ser dito.

Isso substitui terapia ou tratamento médico?

Não substitui nenhum dos dois. É um processo psicanalítico: escuta clínica, não uma leitura de cartas com nome bonito. O que não é: atendimento médico ou psiquiátrico. Não faço diagnóstico, não prescrevo nada e não prometo cura. Se você já está em tratamento, siga nele: o trabalho aqui caminha ao lado, nunca no lugar. E este não é um serviço de urgência. Se você estiver em risco, procure atendimento imediato: na Austrália, Lifeline no 13 11 14, e 000 em risco imediato de vida; no Brasil, CVV no 188.

É on-line ou presencial? Como funciona cada um?

Os dois. On-line é videochamada, de onde você estiver — estar na sua própria casa muitas vezes é justamente o que torna possível falar. Presencial é encontro na mesma sala, e algumas pessoas precisam disso: a presença física muda o que se consegue dizer em voz alta. O presencial acontece em Nova Gales do Sul; o endereço vai na confirmação. A escuta é a mesma nas duas formas. O preço também.

Quanto custa e como eu pago?

Psicanálise e psicanálise com tarô: AU$90 por sessão, de 50 minutos a uma hora. Consulta de tarô: AU$75, mesma duração. Sem pacote fechado e sem assinatura — você paga sessão por sessão, e as formas de pagamento vão na confirmação do agendamento.

Em que idioma acontece a sessão?

Português ou inglês. Português é a minha língua e onde a maior parte das pessoas chega mais fundo; em inglês o cuidado é o mesmo — moro na Austrália há dezenove anos. Você escolhe. E pode misturar: às vezes a frase que importa só aparece na língua da infância.

Eu moro no Brasil. Dá para atender com essa diferença de fuso?

Dá, e é uma combinação comum aqui. Sydney está treze horas à frente de Brasília — quatorze entre outubro e abril, no horário de verão daqui. Na prática isso ajuda: a minha manhã é a noite de quem está no Brasil. Você marca já no horário da sua cidade, sem fazer conta nenhuma.

Nunca fiz tarô. Nunca fiz terapia também. Isso é um problema?

Não. Você não precisa conhecer as cartas e não precisa ter feito análise antes. Também não precisa chegar com a pergunta pronta. A sessão começa com cinco ou dez minutos sobre o que se destacou na sua semana e o que você sentiu, e o resto vai aparecendo. Marcar é a parte difícil. O resto acontece conversando.

E se eu chorar? E se eu travar e não souber o que dizer?

As duas coisas acontecem muito e nenhuma delas é erro. Não precisa se desculpar nem se recompor rápido: a gente espera o tempo que for preciso. E silêncio não é tempo perdido — às vezes é ali que alguma coisa começa a se mover. Se travar de verdade, eu pergunto. Fazer as perguntas que te ajudam a seguir é parte do meu trabalho.

Sou de outra religião. Ou de nenhuma. Isso atrapalha?

Não. O trabalho não pede crença sua e não disputa com a que você tem. As cartas são material simbólico, como a imagem de um teste projetivo: a leitura é sobre a sua vida, não sobre doutrina. Um ateu e uma pessoa devota veem coisas diferentes na mesma carta, e nos dois casos o que aparece diz respeito a quem está olhando.

O que eu contar fica entre nós?

Fica. O que se diz na sessão não sai da sessão — sigilo aqui não é cortesia, é a condição que permite que o trabalho exista. Ninguém da sua vida vai ouvir de mim que você me procura. E se você quiser falar de outra pessoa, fale: ela está protegida pelo mesmo silêncio.

Posso remarcar se acontecer um imprevisto?

Pode. Me avise com antecedência e a gente encontra outro horário — imprevisto faz parte, e eu não trabalho com letra miúda. Só peço que remarcar não vire o padrão: no processo contínuo, a regularidade é parte do que produz efeito.

Sobrou alguma pergunta de fora?

Me escreva. Respondo eu mesma, sem intermediário, e sem tentar te convencer de nada.