
Sobre
Sou a Cristina. Passei a vida escutando o que as pessoas não dizem.
Sou psicanalista, com formação clínica no IBPC, no Brasil. Estudo o tarô como linguagem simbólica há mais de trinta anos. Sou brasileira, vivo na Austrália há dezenove anos e hoje atendo em Nova Gales do Sul, on-line e presencialmente.
Uma pessoa que atendi passava todas as sessões falando do trânsito. Do chefe. Da fila do mercado. Do vizinho que nunca conseguia estacionar direito.
Semana após semana, uma hora inteira de pequenas irritações, contadas com cuidado genuíno.
Eu sabia que havia outra coisa naquela sala.
Ela também sabia.
Mas a conversa seguia rodeando aquilo, sempre na mesma distância cuidadosa. E então a hora acabava.
Um dia, coloquei algumas cartas de tarô sobre a mesa e pedi apenas que ela olhasse.
Ficou um tempo em silêncio.
E aquilo que ela vinha rodeando fazia meses de repente ganhou forma. Passou a existir fora dela. E, pela primeira vez, ela pôde lhe dar um nome.
É assim que eu entendo o lugar do tarô na psicanálise.
Ele não substitui a escuta analítica. Não prevê o futuro. Apenas oferece outra entrada para a conversa quando as palavras sozinhas não alcançam bem o que já está esperando para ser dito.
Donald Winnicott chamou isso de espaço potencial: uma área entre a realidade interna e a externa, onde a experiência pode ser explorada antes de ser inteiramente compreendida. Às vezes uma carta de tarô passa a fazer parte desse espaço — não porque contenha um sentido, mas porque ajuda o sentido a emergir.
Há outra comparação útil. Há mais de um século, psicólogos trabalham com imagens ambíguas, como as manchas do Rorschach. A imagem em si não sabe nada sobre quem a olha. O que importa é o que a pessoa leva até ela.
Aqui vale o mesmo princípio.
As cartas não são testes psicológicos, e eu não aplico nem interpreto avaliações psicológicas. Elas não medem nada. São apenas uma ferramenta simbólica dentro de um processo psicanalítico.
Meu caminho até a psicanálise não foi uma linha reta.
Primeiro me formei em Economia, depois fiz pós-graduação em Recursos Humanos e em Administração Pública. Em seguida passei quinze anos no serviço público brasileiro, encontrando pessoas que pediam uma coisa enquanto precisavam de outra bem diferente.
Depois de me mudar para a Austrália, concluí um Diploma of Business e um Diploma of Children's Services, e trabalhei dez anos com educação infantil. Crianças raramente contam o que sentem — elas mostram.
Mais tarde, passei quatorze meses no atendimento ao público do governo australiano, encontrando pessoas em alguns dos momentos mais difíceis das suas vidas.
Ao longo de todos esses anos, o tarô seguiu como estudo constante. A formação clínica em psicanálise veio depois, no IBPC, no Brasil, e eu a concluí há três anos.
Já parei de pensar nisso como um caminho estranho.
Cada parte dele me ensinou a mesma lição por um ângulo diferente: as pessoas comunicam muito mais do que imaginam, e quase nada do que mais importa é dito diretamente.
É sobre isso que a minha clínica se apoia.
O que eu espero oferecer é simples, embora leve a vida inteira para se cultivar: firmeza, constância, curiosidade, presença e cuidado genuíno com o próprio trabalho.
Você não vai me encontrar encenando certezas nem fingindo ter todas as respostas.
Vai encontrar alguém disposta a ficar com você o tempo suficiente para que algo verdadeiro apareça.
A história acima é uma composição, feita de anos de experiência clínica. Nenhum cliente identificável aparece em qualquer parte deste site. Sigilo não é apenas uma obrigação ética — é uma das condições que tornam este trabalho possível.
Cada carta é usada com o mesmo rigor e a mesma honestidade do resto do meu trabalho clínico.
Formação e trajetória
- Formação clínica em Psicanálise — IBPC (Brasil), concluída há três anos
- Mais de trinta anos estudando o tarô como linguagem simbólica
- Graduação em Economia (Brasil)
- Pós-graduação em Recursos Humanos e em Administração Pública
- Quinze anos no serviço público brasileiro
- Diploma of Business (Austrália)
- Diploma of Children's Services (Austrália)
- Dez anos em educação e cuidado na primeira infância
- Quatorze meses no atendimento ao público do governo australiano
- Atendimento on-line e presencial em Nova Gales do Sul